Tudo o que você precisa saber sobre o mundo Disney

Ana Maria Guidi  - 06 de maio 2021 ás 18h40

Para a maioria das pessoas, o mundo mágico da Disney faz parte de um grande sonho que nos acompanha desde a infância. Dos mais clássicos desenhos animados, que surgiram na década de 40, às animações atuais, o grande império já passou por altos e baixos.

Atualmente, vimos surgir o Disney+, uma plataforma de streaming que promete conquistar cada vez mais espaço. Mas, como tudo isso começou?

É estranho pensar que o mundo mágico da Disney – onde os sonhos se realizam – tão presente nas nossas histórias, data do tempo de avós e bisavós. Resultado de um sonho dos irmãos Walt Elias Disney e Roy Oliver Disney, a companhia teve seu nascimento em 1923 – cinco anos após o fim da primeira guerra mundial.

O surgimento do império e do ratinho que o acompanha

Nascido em Illinois, nos Estados Unidos, e conhecido por seu empreendedorismo, ousadia e criatividade, Walt Disney começou a estudar arte aos 16 anos, em Chicago, iniciando a carreira de cartunista dois anos depois – e logo após sua saída da Cruz Vermelha.

Com um grande talento para as artes, Walt começou sua carreira como desenhista em uma empresa, na cidade do Kansas, onde se deparou, pela primeira vez, com a animação, que lhe gerou grande interesse.

Foi quando decidiu fundar sua própria companhia que, devido à má administração, teve de ser fechada pouco tempo depois. Walt decidiu, então, mudar-se para Hollywood, onde seu irmão morava.

Assim, em 1923, aos 21 anos, Walt Disney, junto ao seu irmão Roy, de 28, lançaram o Disney Brothers Studio, uma pequena empresa de animação, em Hollywood.

Diferente do que muitos pensam, a primeira produção da companhia não foi o Mickey Mouse, que viria a se tornar sua marca, e sim uma série chamada Alice Comedies, uma sequência de curtas que misturava animação com live-action, que durou até 1927.

Fonte: Divulgação

Ainda antes do Mickey, em 1926, surge o segundo sucesso da companhia, a animação Oswald, The Lucky Rabbit (ou Oswald, o Coelho Sortudo), que foi vendido para a Universal Pictures (antiga Universal Studios).

Foi em 1928 que nasceu a grande figura que carimbou a empresa: o Mickey Mouse. De acordo com relatos, os primeiros desenhos surgiram durante o retorno de uma viagem de Walt Disney, de Nova Iorque a Los Angeles.

Rabiscado em um guardanapo, o personagem surgiu com o nome de Mormiter Mouse, foi aperfeiçoado por Ub Iwerks, braço direito de Walt, e rebatizado pela esposa do criador, Lily, que acreditava que Mickey seria um nome mais alegre.

O ratinho, por sua vez, veio em boa hora. Com o surgimento do desenho sonoro na mesma época, o novo personagem, Mickey Mouse, seria uma grande aposta. Assim, em 1928, sob grande expectativa, a Disney Brothers Studio – nome que possuía na época – lançou o desenho Steamboat Willie, dublado por ninguém mais, ninguém menos do que o próprio Walt Disney.

Os anos seguintes foram marcados por grandes criações, também conhecidas como “a turma do Mickey Mouse”. Nasciam, assim, a Minnie Mouse, Pato Donald, Pateta e Pluto.

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Fonte: Divulgação

Os primeiros longas-metragens e as eras de ouro da Disney

Assim como o Mickey, as princesas do mundo Disney são um de seus grandes cartões de entrada: Branca de Neve, Cinderela, Aurora, Ariel, Bela, Jasmine, Pocahontas, Mulan, Tiana, Rapunzel e, mais recentemente, Merida e Moana.

Essas princesas, que dominaram o universo dos contos de fada, não surgiram todas juntas: cada uma delas faz parte de uma “fase” da história da Disney que, junto com outros personagens, compõe o mundo mágico que hoje conhecemos.

Conheça essas sete fases a seguir:

Branca de Neve e a Era de Ouro

Foi em uma de suas apostas criativas e consideradas “fora da curva” que Walt Disney lançou seu primeiro longa-metragem animado, Branca de Neve e os Sete Anões, em 1937. O filme foi um sucesso imediato, garantindo à Disney um lugar de prestígio.

Os cinco anos conhecidos como “Era de Ouro”, que se encerram em 1942, ainda foram responsáveis pela produção de Pinóquio, Fantasia, Dumbo e Bambi.

Fonte: Reprodução

O Zé Carioca no período da Guerra

As dificuldades impostas pela Segunda Guerra Mundial não impediram a companhia de continuar produzindo. Com o orçamento e equipe reduzidos, os anos de 1939 a 1942 foram resumidos na produção de curtas-metragens que, no fim, compunham um longa; os conhecidos “filme pacote”.

Guardada as devidas ressalvas a respeito das funções políticas dos filmes da época, nestes anos foram produzidos Alô Amigos, Você Já Foi à Bahia?, Mickey e o Pé de Feijão, Cante com Disney e As Aventuras de Icabod e o Sr. Sapo.

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Cinderela e outros mais na Era da Restauração

Também conhecida como Era da Prata, os quase 20 anos da Era da Restauração foram marcados por grandes clássicos, como Cinderela, Alice no País das Maravilhas, Peter Pan, A Dama e o Vagabundo, A Bela Adormecida, 101 Dálmatas, A Espada Era Lei e Mogli – O Menino Lobo.

Com filmes de tons suaves e temas leves, a Era da Prata iniciou-se em 1950 e só foi ter fim em 1967, com a morte do grande Walt Disney.

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A Era Sombria ou Era do Bronze

A morte de Walt Disney foi representante de um período de luto do Mundo Mágico. Sem as raízes de criatividade do criador, a companhia embarcou em produções sombrias e nada tradicionais que duraram cerca de 18 anos (entre 1970 a 1988).

Com filmes considerados, na época, fracassos de bilheteria, foram lançados Aristogatas, Robin Hood, As Aventuras do Ursinho Pooh, Bernardo e Bianca, O Cão e a Raposa, O Caldeirão Mágico, As Peripécias do Ratinho Detetive e Oliver e Sua Turma.

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A reinvenção na Era da Renascença

Apesar de “sombria”, os 20 anos anteriores a nova era de sucesso permitiram que a companhia se reestruturasse e se reinventasse, dando início à produção dos maiores clássicos da The Walt Disney Company.

A Pequena Sereia, Bernardo e Bianca na Terra dos Cangurus, A Bela e a Fera, Aladdin, O Rei Leão, Pocahontas, O Corcunda de Notre Dame, Hércules, Mulan e Tarzan: filmes que definiram a época, que foram responsáveis por produzir visões e valores de mundo em crianças marcadas por um novo tipo de animação.

Os anos de 1989 a 1999 permitiram que a Disney ganhasse espaço como nunca antes, ocupando espaço na formação de uma geração inteira.

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A Era da Experimentação e o novo mundo

Os anos 2000 representaram um amadurecimento dos temas tratados pela companhia. Com uma legião de fãs que atingiam a adolescência e o início da vida adulta, produziram filmes como Fantasia 2000, Dinossauro, A Nova Onda do Imperador, Atlantis: O Reino Perdido, Lilo & Stitch, Planeta do Tesouro, Irmão Urso, Nem Que a Vaca Tussa, O Galinho Chicken Little, A Família do Futuro e Bolt – Supercão.

Os filmes, salvo alguns casos, não foram considerados grandes sucessos. Isso porque, foi nesta época que surgiram as grandes franquias Harry Potter e Senhor dos Anéis, que roubaram a atenção do público.

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A Disney do século XXI e as reviravoltas 

Durante quase 70 anos, a Disney sobreviveu de altos e baixos. Com constantes reinvenções em seu currículo, a empresa chegou aos anos 2000 com novas perspectivas de expansão.

Foi nesse sentido, que ainda em 2006, comprou a Pixar. O início de um trabalho em conjunto permitiu que, em 2009, a Disney estreasse sua ‘nova era’: a da Renovação.

Assim, próximo da virada da década, a companhia também comprou os direitos da Marvel e da Lucasfilm, garantindo entretenimento aos públicos mais diversos.

Iniciou-se, então, um novo período de grande sucesso, com produções como A Princesa e o Sapo, Enrolados, O Ursinho Pooh, Detona Ralph, Frozen: Uma Aventura Congelante, Operação Big Hero, Zootopia e Soul, que, no Oscar de 2021, garantiu a estatueta de melhor animação.

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Mas o período de reinvenção não parou por aí. A partir de 2010, a Disney passou a investir mais fortemente em live action, ou seja, filmes com atores reais.

Foi assim que, desde então, vimos ressurgir grandes clássicos como Alice no País das Maravilhas, Malévola, Cinderela, Mogli: O Menino Lobo, Alice Através do Espelho, A Bela e a Fera e Rei Leão.

Com as mesmas músicas e histórias, mas de um jeito mais próximo, mais real e mais tecnológico, o império Disney consolidou sua constante expansão até lançar, em 2020, sua mais nova aposta: o Disney+.

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A plataforma ganhou, rapidamente, espaço no mercado dos streamings e, hoje, figura como um dos principais concorrentes da Netflix, com cerca de 100 milhões de assinantes conquistados em apenas 16 meses.

Muitos perguntam qual o futuro desse gigantesco império. As respostas são muitas, mas uma certeza nós temos: o mundo mágico da Disney está muito, muito distante do seu fim.