Round 6: a série coreana que está conquistando o mundo

Ana Maria Guidi  - 11 de outubro 2021 ás 12h00

E se fosse possível se tornar milionário apenas participando de jogos infantis? Mas, e se esses jogos infantis fossem, na verdade, uma grande aventura mortal? Esse é o princípio do roteiro de Round 6, a série que vem ganhando o mundo.

Na trama, um grupo de 456 pessoas desesperadamente endividadas são convidadas para participar de um torneio de jogos infantis cujo prêmio final é de 45 bilhões de won sul-coreanos (aproximadamente R$ 217 milhões).

O único obstáculo, entretanto, é a condição final: ou você sai milionário ou morto. Não há a possibilidade de perder, nem de desistir; todos os caminhos levam para uma única solução: é preciso vencer o jogo.

O sucesso na plataforma

É essa narrativa, de constante mistério e agonia, que vem atraindo milhares de fãs. Com personagens bem desenvolvidos, muita ação e suspense, Round 6, lançada no dia 17 de setembro, ocupa o top 10 diário em todo o mundo, assumindo a responsabilidade de produção coreana de maior sucesso da plataforma.

Reprodução/Netflix

De acordo com Ted Sarandos, CEO da Netflix, em uma conferência realizada nos Estados Unidos, no dia 28, se continuar neste ritmo de crescimento, há possibilidade de a série se tornar “o maior programa de todos os tempos” da plataforma de streaming. Isso porque as métricas da Netflix são avaliadas contando quantas pessoas assistem pelo menos dois minutos de um programa em 28 dias após seu lançamento. Assim, seguindo essa lógica, Sarandos admitiu que Round 6 pode ultrapassar não só Lupin e Stranger Things, mas também Bridgerton, que ocupa o primeiro lugar, com 82 milhões de espectadores.

Uma análise do que está por trás

O sucesso de Round 6 suscitou não só diversos comentários, como também análises aprofundadas do que a narrativa pretende expressar. Em um artigo no The Guardian, um jornal britânico de extrema relevância, a série foi comparada com Parasita (2019) o filme vencedor do Oscar 2020.

Segundo Henry Wong, escritor do artigo, a série é uma representação da luta de classes, em que a desigualdade pode dar origem a um final sangrento. Isso porque a sede pelo dinheiro e a necessidade de sobrevivência pode ser uma forte representação do mundo capitalista sob a perspectiva dos mais pobres.

A ideia, que se colocou primeiro como teoria, foi depois comparada pelo próprio diretor e roteirista, Hwang Dong-hyuk, que afirmou que a série foi criada com a ideia de ser uma fábula sobre a sociedade capitalista moderna como um todo, representada por personagens que podem ser vistos na vida real.

Comparações, inspirações e polêmicas

Além do paralelo com a obra-prima Parasita, outros programas que seguem a mesma lógica e fizeram muito sucesso nos últimos anos, também foram alvo de comparação. Entre eles, Jogos Vorazes, Jogos Mortais e a brasileira 3%, produções que carregam a ideia de vida ou morte no interior de uma dinâmica de competições.

Reprodução/Netflix

Essas comparações, entretanto, vem gerando polêmicas. Isso porque alguns espectadores vêm acusando Hwang Dong-hyuk de ter realizado plágio de um filme japonês de 2014, As The Gods Will. Segundo os que analisam as semelhanças, não só o roteiro é similar, como muitas cenas que compõe a produção.

Apesar disso, em entrevista para a revista coreana The Korea Herald, Hwwang se defendeu, afirmando que, ainda que haja algumas semelhanças, a trama foi construída entre 2008 e 2009, quando ele já tinha decidido qual o primeiro jogo a aparecer na trama.

Ainda segundo ele, a escrita do roteiro foi inspirada na leitura de diversos quadrinhos japoneses e animes, como Battle Royale e Liar Game.

E a segunda temporada?

Em entrevista para a revista estadunidense Variety, Hwang Dong-hyuk afirmou que ainda não há planos para a continuação da série. Segundo ele, pensar em uma segunda temporada, neste momento “é um pouco cansativo”.

O diretor afirmou ainda que não esperava que a série se tornasse tão popular e que, apesar de grato, ele está muito cansado, o que só permitiria uma segunda temporada acompanhada de uma equipe estruturada.

Hwang, entretanto, acrescentou “não sou muito bom em trabalho em equipe […] o método introspectivo foi o que mais me ajudou nos últimos anos”.

Apesar de declarações não muito animadoras, a série ainda pode conquistar uma legião de fãs, o que, quem sabe, contribuiria para a mudança de pensamento de Hwang.


Composta de nove episódios, Round 6 foi lançado em 17 de setembro e está disponível na Netflix.