Representatividade LGBTQIA+ nos animes

Júlia Tetzlaff  - 11 de março 2022 ás 12h00

Quem achou que o mundo dos animes era apenas para meninos héteros e adolescentes, achou errado! Desde o seu início, este universo tem como principal razão acolher pessoas que não se sentiam parte de uma sociedade extremamente rígida e excludente. Por isso, podemos ver exemplos de representatividade LGBTQIA+ e de luta contra os preconceitos em várias épocas.

E é no mundo de cores, possibilidades e fantasia dos animes que encontramos personagens incríveis que não devem ser esquecidos. Vem com a gente lembrar deles?

Michiru e Haruka (Sailor Moon)

Haruki e Michiru, de Sailor Moon, abriu a representatividade para não-bináries (Reprodução/Toei Animation)

Sailor Moon é, com certeza, um dos animes mais amados por pessoas queer, contando com vários fã-clubes e grupos que exaltam a produção. Afinal, quem da comunidade LGBTQIA+ nunca se sentiu excluído na escola, sofreu bullying ou, até mesmo, algum tipo de violência? Foi a partir das personagens desse anime que muitas pessoas encontraram, na adolescência, a força para serem quem realmente são.

As personagens Michiru e Haruka, por exemplo, foram, por muitos anos, na versão norte-americana, retratadas como primas. Na verdade, Haruka é uma pessoa não-binárie e elus eram amantes!  Por muito tempo, essa paixão sáfica foi censurada pela versão ocidental, quando no Japão era explícito quem elus realmente eram. Muitos anos depois, em uma nova versão, finalmente a identidade das personagens foi respeitada e o anime tratou, propriamente, as duas como eram. Uma grande vitória para o público LGBTQIA+!

Yukito e Touya (Sakura Card Captor)

Yukito e Toya, um casal gay que encanta corações em Sakura Card Captors (Reprodução/Kodansha)

E o que falar do casal gay mais fofo dos animes? Yukito e Touya, de Sakura Card Captors, são capazes de inspirar qualquer um com seu romance. Em um dos episódios, por exemplo, eles se mostram com uma linguagem corporal digna de quem se sente confortável na presença da pessoa amada. Eles são um exemplo de compreensão, honestidade e naturalidade nas relações e mostram que casais LGBTQIA+ são apenas casais como quaisquer outros. Fofos!

E o anime ainda conta com outros personagens que representam todas as formas de amar, sem contar que foi um marco para muitos adolescentes nas próprias descobertas, pois o enredo e as personagens são completamente inspiradores.

Ryuji Ayukawa (Blue Period)

Ryuji Ayukawa, que encontra na arte uma maneira de expressar quem é (Reprodução/Netflix)

Ryuji Ayukawa, do maravilhoso anime Blue Period, se identifica como queer e bissexual. Seus pronomes são ela/dela, ele/dele ou elu/delu, e sua personalidade forte e decidida mostram que ela não está nem aí para qualquer preconceito. Ela é uma superespecialista em street fashion e faz parte de um clube de arte, se vestindo, diversas vezes, com visuais queer e genderfluid.

Apesar de seus pais não concordarem com seu estilo pessoal e de vida, ela é muito próxima de sua avó, que a aceita como é. Assim, ela compartilha com a avó a paixão pela arte e é incentivada por ela a seguir carreira artística. Mais um exemplo de como é importante ter uma rede de apoio que aceita você como é!

Blue Period é um anime baseado no mangá de mesmo nome e conta a história de um adolescente, Yatora, que sente que sua vida é uma mentira, até ser profundamente tocado por uma obra de arte que muda toda a sua percepção da vida. Com isso, ele acaba entrando para o mundo da arte. O enredo conquistou milhões de fãs, tanto pelo seu visual deslumbrante quanto pela história, que aproxima tantos jovens ao mundo da arte através do mundo otaku.

Emporio Ivankov (One Piece)

Emporio Ivankov em sua forma masculina (Reprodução/Toei Animation)

One Piece é um dos mais longos animes já produzidos e continua a encantar o público até hoje. Tendo começado na década de 90, é possível ver claramente, ao longo dos anos e temporadas, a incorporação de mais representatividade entre seus personagens.

E como não falar da grande drag queen Emporio Ivankov? A personagem é uma travesti superpoderosa, que tem como poder injetar hormônio feminino em si mesma, transformando-se em uma versão feminina. Originalmente, Ivankov é um homem com um grande cabelo afro arroxeado que se veste com meia-arrastão e maquiagem drag. Quando utiliza o hormônio, se transforma na rainha do Reino Kamabakka e é considerado o maior okama do mundo. Poderosíssima!

É interessante relembrar que, no Japão, a cultura crossdresser (travestir-se de outro gênero que não o que lhe foi designado no nascimento) é bem comum e não tem tanto a ver com gênero ou sexualidade, mas sim com vestir-se bem. Por mais que em alguns momentos One Piece possa parecer retratar essa cultura de uma maneira mais estereotipada do que estamos acostumados hoje em dia, ainda lá o crossdressing parece ser muito mais bem aceito do que no Brasil ou, ao menos, incorporado de maneira não-pejorativa nos costumes.


Esses foram apenas alguns exemplos de personagens LGBTQIA+ que encontramos nos animes. Apesar do preconceito e do conservadorismo, é incrível ver o quanto esse universo está presente, representando membros desse universo tão plural. Ainda há muito espaço a ser aberto no mundo otaku, e, portanto, a luta por mais representatividade e diversidade continua!