Pirataria moderna: como afeta a indústria e quais as medidas tomadas

Tiago Minervino  - 10 de maio 2021 ás 17h46

Desde que o mundo é mundo há relatos de extravios ou roubos de itens pertencentes a outras pessoas por grupos criminosos. Na época das Grandes Navegações, por exemplo, quando Cristóvão Colombo, dentre outros, circulavam o globo por meio do mar na busca por especiarias e a descoberta de novas terras, tem-se conhecimento de grupos que saqueavam esses produtos: os famosos piratas.

Nos cinemas, a franquia Piratas do Caribe, estrelado por Johnny Depp, representa um pouco dessas batalhas ultramarinas contra saqueadores de navios alheios. Na atualidade, porém, o mundo lida com uma nova forma de pirataria e, nesse contexto, os principais afetados são aqueles que trabalham com a indústria do entretenimento e da moda.

Fonte: Divulgação

Mas, afinal, o que é a pirataria moderna?

De forma bastante sucinta, a pirataria moderna pode ser considerada como a prática de vender ou distribuir produtos de forma ilegal, sem a autorização daqueles que detêm os direitos autorais sobre uma determinada marca ou produto.

O Código Penal Brasileiro caracteriza a pirataria como uma atividade ilegal e, portanto, criminosa, por entender que há a violação dos direitos de criação, com pena que pode chegar até quatro anos de reclusão, mais o pagamento de multa.

As formas da pirataria moderna são bastante abrangentes e podem englobar, inclusive, o universo da moda: uma determinada marca de grife lança um novo modelo de roupa ou uma bolsa e os produtos são copiados e vendidos a preço popular.

Mas, aqui, o Pitinews se aterá a essa prática no ramo do entretenimento, sendo que um dos setores mais afetados é, de longe, a indústria cinematográfica.

DVDs piratas e conteúdo gratuito na internet

O Brasil está longe de ser um país igualitário. Dadas as discrepâncias de renda tão gritantes, é fato que apenas uma pequena parcela da população tem acesso ao cinema. Com preço médio de R$ 30 reais a entrada, ir assistir ao lançamento de um filme nas telonas não é uma forma de lazer ao qual milhões de pessoas têm direito.

Fonte: cottonbro/Pexels

Dessa forma, os famosos DVDs piratas, vendidos em barracas nas ruas, se tornaram uma forma de ter acesso a esses filmes. Por muito tempo, esse foi o grande terror da indústria cinematográfica. Hoje, porém, a luta se dá no mundo virtual.

Com o acesso cada vez mais amplo da internet no Brasil e no mundo, um filme lançado pela Marvel hoje pode estar disponível em sites piratas na web amanhã. O mesmo vale para séries, jogos e, claro, músicas.

Netflix, GloboPlay, Amazon Prime, dentre outras plataformas de streaming, há muito lutam contra essa prática criminosa, que gera um prejuízo astronômico, na casa dos milhões de reais, a essas empresas.

Medida paliativa

Por se tratar de um universo bastante amplo, o virtual, regulamentar e fiscalizar as pessoas por trás desses sites piratas torna-se tarefa extremamente cara e nem sempre há garantia de resultado. Diante desse conflito, uma mediada paliativa tem sido adotada pelas empresas: promover a facilidade de acesso a esses produtos por meio do barateamento.

Principal plataforma para ouvir música online no mundo, o software de streaming, Spotify, pode ser acessado de forma gratuita por quem tiver interesse. Aqueles que quiserem assinar a plataforma, pagarão um preço baixo. A medida tem se mostrado exemplar.

Fonte: Karolina Grabowska/Pexels

Visando o combate ao extravio de séries e filmes, a Netflix também disponibiliza planos de contratação de seus serviços a baixo custo e de forma conjunta, a fim de atrair os usuários. Novata no Brasil, o Disney+ pode ser adquirido em um plano conjunto com a plataforma da Globoplay. Juntas e a um preço acessível, os usuários ficam mais dispostos a assinar.

Assim, o caminho que vem sendo trilhado é o do barateamento ao acesso a esses produtos, o que cada vez mais tem se provado a forma mais eficiente de combate à pirataria.

Tags