Netflix: um império em constante readaptação

Ana Maria Guidi  - 06 de maio 2021 ás 19h14

Quando nos sentamos para assistir a um filme, um dos primeiros serviços de streaming que nos vem a cabeça é a Netflix. O nome da companhia se tornou quase que parte de nosso vocabulário: “vamos lá em casa assistir à Netflix?”, “que tal uma Netflix com pipoca?” Mas você sabe como tudo isso começou?

A história do streaming

Se você não é do tempo em que, para assistir a um filme no domingo à noite, era preciso ir à locadora mais próxima para alugar um DVD (que deveria ser devolvido dentro de um período, sob risco de multa), você deve ser mais novo que a Netflix.

Isso porque a história da companhia se inicia em 1997 (24 anos atrás, antes mesmo da Google), como um serviço de aluguel de DVD. A NetFlix (que, na época, possuía esse ‘F’ maiúsculo no nome) oferecia um plano de assinatura em que os consumidores podiam alugar DVDs ilimitados, sem data de devolução, multa por atraso ou limite mensal.

A ideia era, de fato, inovadora, uma vez que, além de oferecer “vantagens” que a maior parte das locadoras não oferecia, o serviço ainda possuía uma lista de recomendações personalizadas criada a partir da avaliação dos títulos alugados anteriormente. Ou seja, além de receber tudo por correio, eles ainda garantiam boas indicações.

A companhia foi crescendo e conquistando cada vez mais clientes, até que, em 2003 (mais ou menos quando a banda larga chegou ao Brasil), a marca chegou a 5 milhões de assinaturas. Entretanto, somente em 2007 é que o streaming nasceu, permitindo que os usuários assistissem filmes e séries online.

Fonte: Divulgação

Após três anos de atuação, acumulando mais de 10 milhões de assinaturas, o serviço chegou ao Canadá e, um ano depois, em 2011, à América Latina e ao Caribe. A essa altura, a companhia já acumulava 25 milhões de assinaturas e um faturamento de 1,5 bilhão de dólares.

A plataforma, que já tinha nome e identidade, tornou-se ainda mais querida quando, em 2013, lançou sua primeira webserie original, Lillyhammer, seguida de House of Cards, vencedora de três Emmy e um Globo de Ouro (pela atuação de Kevin Spacey).

Com o sucesso do drama político promovido pela série, a empresa passou a emplacar originais como Hemlock Grove, Arrested Development e Orange Is the New Black, todos lançados no mesmo ano, o que permitiu que, no ano seguinte, a companhia ultrapassasse os 50 milhões de assinantes.

Em 2020, durante a pandemia da Covid-19, a companhia atingiu a marca de 200 milhões de assinantes e consolidou-se como a maior empresa de entretenimento audiovisual do mundo, ultrapassando a Disney, com um valor de mercado de cerca de US$ 160 bilhões.

Netflix e a concorrência

Na mesma medida em que a pandemia garantiu um aumento exponencial de assinantes para a Netflix, seus concorrentes, como Amazon Prime Video e as recém criadas HBO e Disney+, também deram um salto.

Com o avanço e surgimento das novas plataformas, a empresa, soberana no mercado, registrou uma queda de 31% do espaço do mercado dos Estados Unidos, segundo o estudo da consultora Ampere Analysis, divulgado pelo site The Wrap.

Fonte: The Wrap/Reprodução

A soberana, que antes dominava 29% do mercado, hoje detém 20%, seguido da Amazon Prime Video, com 16%, e Hulu – que não possui uma expansão internacional significativa – com 13%.

O avanço em disparado foi da HBO Max que teve um aumento da participação de 3 para 12% entre 2019 e 2020, ocupando o lugar da quarta maior plataforma do país. A Disney+ não fica muito atrás: a expectativa é que a plataforma assuma o terceiro lugar ainda em 2021.

Fonte: The Wrap/Reprodução

Apostas futuras da plataforma

Pensando nisso, a Netflix assinou, no início do mês de abril de 2021, um acordo de cinco anos com a Sony Pictures. Isso significa que, a partir de 2022, os filmes do estúdio passam a figurar, logo após a saída dos cinemas, na lista de filmes da plataforma.

O novo acordo põe sob risco a STARZ, plataforma da Lionsgate que, nos últimos dez anos, era quem detinha a exclusividade com a produtora. O acordo inclui tanto títulos antigos de sucesso quanto futuros lançamentos – como os novos filmes do Homem-Aranha.

As novidades não param por aí. Recentemente, a plataforma também anunciou que está investindo na adaptação do sucesso As Crônicas de Nárnia, no desenvolvimento de uma série live-action de Avatar e, para os fãs de literatura clássica, na produção adaptada do livro Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez.

Extra: três curiosidades sobre a plataforma que você provavelmente não sabia

  • A Netflix nem sempre teve esse nome. Em seus primeiros dias de vida, a empresa chamava-se Kibble, um termo norte-americano para ração de cachorro. De acordo com o criador, Marc Randolph, o nome era inspirado no marketing “it doesn’t make a difference how good the ads are if the dogs don’t eat the dog food”, que, em tradução literal, significa “não faz diferença o quão bons são os anúncios se os cães não comem a ração”.
  • A primeira série original da plataforma foi um teste chamado “Example Show”, uma série de dois episódios de 11 minutos que ainda está disponível no catálogo do streaming. O “show” apresenta malabarismo, moonwalking e um monólogo de Júlio César.
  • Nos anos 2000, a empresa se ofereceu para ser comprada pela falecida Blockbuster pelo insignificante valor de 50 milhões de dólares. A Blockbuster, entretanto, recusou a oferta, fechando as portas 13 anos depois.

Tags