Incêndio atinge galpão da Cinemateca Brasileira em São Paulo

Tiago Minervino  - 30 de julho 2021 ás 09h18

Um incêndio atingiu um galpão da Cinemateca Brasileira, nesta quinta-feira (29), em um prédio localizado na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, onde parte significativa do acervo cinematográfico do país é guardado.

Segundo informações do Corpo de Bombeiros, o incêndio teve início no momento em que uma empresa terceirizada fazia manutenção do ar condicionado. Não houve feridos e as chamas já foram controladas.

Até o momento, ainda não foi divulgado a totalidade do prejuízo causado pelo fogo, mas, segundo o ex-secretário de Cultura de São Paulo, Augusto Calil, a Cinemateca deve ter perdido cerca de quatro toneladas de documentos do Instituto Nacional de Cinema, Concine, Embrafilme e Secretaria do Audiovisual.

Incêndio em galpão da Cinemateca, na Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo. — Foto: Reprodução/TV Globo
Reprodução/TV Globo

O prédio abrigava cerca de 1 milhão de documentos da antiga Embrafilme, cujos documentos seriam utilizados na montagem de um museu para celebrar a história do cinema nacional.

A Cinemateca é administrada pela Secretaria Especial de Cultura, órgão subordinado ao governo federal, em Brasília, que, em nota, disse lamentar “profundamente” o incêndio que atingiu o galpão da Cinemateca Brasileira, e informou que pedirá à Polícia Federal para investigar como tudo aconteceu.

Em entrevista à GloboNews, o ex-gestor da Cinemateca, Francisco Campera, declarou que o ocorrido era uma “tragédia anunciada” e que o governo federal tinha ciência disso.

“Eu avisei aos funcionários que tomaram posse. Tem mais de um ano, e até hoje não tem monitoramento humano”, afirmou.

Indignação

Nas redes sociais, grandes nomes das artes do Brasil lamentaram o incêndio do galpão.

Kleber Mendonça Filho, um dos maiores nomes do cinema nacional na atualidade, destacou que foram perdidos “quatro toneladas de material” e que o acidente aconteceu após “múltiplos pedidos de ajuda na comunidade do cinema (20 dias atrás, eu falei sobre isso em Cannes), nada foi feito. Não parece que isso foi um acidente”, destacou.

A atriz Leandra Leal escreveu que é “revoltante perder parte do acervo da cinemateca”. “É inaceitável e triste”, completou.

Alinne Moraes postou no Instagram: “29/07/2021. Incêndio atinge a Cinemateca. O acervo da Cinemateca representa o maior museu audiovisual do Brasil e da América Latina, e guarda documentos que datam desde o século 19. Ao todo, há mais de 250.000 rolos de filme no acervo da instituição, muitos originais e sem cópia por serem muito antigos”.

Mariana Ximenes: “Revoltante! Mais um patrimônio que se vai… fizemos campanha, alertamos e nada foi feito pelo governo. Até quando?”