Eternos: o Universo Marvel finalmente colide com o universo LGBTQI+

Ana Maria Guidi  - 15 de novembro 2021 ás 11h00

No universo Marvel é possível ser qualquer coisa. De poderes mágicos e habilidades desumanas, uma das únicas características que o Universo Cinematográfico da Marvel ainda não havia apresentado era um personagem assumidamente LGBTQI+.

Por anos, os fãs da franquia cobraram um posicionamento. Isso porque, enquanto nas HQs o tema já tinha sido superado há tempos com a presença de diversos personagens LGBTQI+, no cinema neste tema nunca havia sido abertamente retratado.

Em 2021, isso começou a mudar. O primeiro movimento veio ainda em junho, quando, no terceiro episódio da série Loki, “Lamentis”, o protagonista assume para Sylvie (interpretada por Sophia Di Martino) que é bissexual.

Reprodução/Marvel

A conversa sobre a sexualidade de Loki (que já não era novidade) até atraiu os olhares dos fãs, mas foi apenas com o anúncio do lançamento de Eternos e a confirmação da presença de um casal gay no longa que o assunto ganhou mais espaço.

Primeiros anúncios

O anúncio da existência de um personagem gay no MCU não é recente. Em diversas oportunidades (como naentrevista ao The Playlist, em 2018), ao ser questionado, Kevin Feige, presidente da Marvel Studios, respondeu que sim, era um futuro possível e provável.

Mas foi apenas após a entrevista de Haaz Sleiman ao New Now Next, em 2020, que o ‘boato’ se confirmou – “um beijo lindo e comovente, que fez todos do set chorarem”, afirmou o ator.

O fato, entretanto, ficou relativamente esquecido até o lançamento do primeiro teaser, em outubro, seguido de uma entrevista de Chloé Zao ao site Indie Wire, em que ela afirma que “apresentar o primeiro super-herói abertamente gay já estava escrito na história do MCU antes mesmo de me tornar diretora”.

Eternos: o Universo Marvel finalmente colide com o universo LGBTQI+
Reprodução/Marvel

Polêmica

As questões ao redor do beijo e da relação gay presente no filme começaram alguns meses antes do seu lançamento, quando, em setembro, a Rússia colocou a classificação indicativa mais restritiva para o longa – o filme foi classificado como proibido para menores de 18 anos devido a presença de “conteúdos sexuais” – e sofreu a ameaça de sequer ser reproduzido.

Mas, foi uma semana antes do lançamento que as polêmicas se intensificaram. Isso porque alguns grupos se aglomeraram em fóruns online e nas resenhas do site IMDB – base de dados online de informação – para criticar a produção.

As críticas, muitas vezes agressivas, infundadas e homofóbicas, foram prontamente apagadas pela plataforma, mas, as revisões negativas permaneceram, colocando a nota do filme, que até então não havia sido lançado, abaixo do esperado.

Eternos: o Universo Marvel finalmente colide com o universo LGBTQI+
Reprodução/Marvel

Kumail Nanjiani, que interpreta Kingo, chegou a se pronunciar: “aparentemente estamos incomodando as pessoas certas”, afirmou. A postagem, entretanto, foi apagada minutos depois.

Esse movimento de atacar os filmes – da franquia ou não – que se propuseram a tratar a diversidade de forma mais inclusiva não é novidade. Em 2019, o filme Capitã Marvel sofreu ataques na mesma plataforma; o motivo: uma feminista no papel de uma super-heroína incomodou muitos.

O que a maioria não sabe (ou finge não saber) é que o MCU deveria estar preparado para apresentar personagens LGBTQI+ há anos. Isso porque, nos quadrinhos, grandes heróis já saíram do armário há muito tempo.

Personagens LGBTQI+ dos HQs

Pensando nisso, separamos alguns grandes nomes dos quadrinhos, seja da Marvel ou não, para compor uma lista e confirmar que, sim, é possível ser um super-herói, um vilão ou qualquer outro personagem com superpoderes e ser também parte da comunidade LGBTQI+. Confira:

Deadpool

Reprodução/Marvel

O personagem é, na realidade, pansexual – se interessa por pessoas, independente do gênero. Em 2013, o escritor Gerry Duggan respondeu ao questionamento de um fã afirmando que o anti-herói, criado na década de 90, é um personagem “não heterossexual”.

Homem de Gelo

Reprodução/Marvel

Tanto na versão adulta quanto adolescente, o personagem dos X-Men é retratado como gay. Nos quadrinhos, a sexualidade é, inclusive, retratada como uma questão, uma vez que sua versão mais velha chegou a namorar mulheres, mas a mais jovem não se reconhece enquanto bissexual.

Wiccano e Hulkling

Reprodução/Marvel

Conhecidos, no Brasil, como o casal que foi censurado na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, em 2019, o casal LGBTQI+ mais famoso da Marvel não é apenas abertamente gay, como, desde setembro de 2020, são também casados.

Mulher-Maravilha

Reprodução/DC

Greg Rukia, escritor de Mulher-Maravilha, confirmou, em 2016, que a Amazona é obviamente bissexual. Isso porque ela mora na ilha de Themyscira, que é povoada apenas por mulheres.

Batwoman

Reprodução/DC

Criada para ser uma versão feminina do Batman, a personagem assumiu-se como lésbica, envolvendo-se, constantemente, com a Detetive Renée Montoya, policial de Gotham.

Superman

Reprodução/DC

Por último, mas não menos importante, o mais recente e mais polêmico. O filho de Clark Kent, Jonathan Kent, que se envolveu amorosamente com Jay Nakamura na HQ. De acordo com Tom Taylor, escritor da serie, a escolha de um super-herói gay para esse novo capítulo da história é reflexo da necessidade de inserir, na historia, problemas do mundo real.


Os universos Marvel e o da representatividade finalmente se cruzaram nos cinemas e as promessas são para que eles continuem trilhando o caminho da inclusão – seja através de pautas feministas, LGBTQI+, negras ou PCDs. É importante que o mundo dos super-heróis também seja representativo.

Eternos já está disponível nos cinemas. Confira nossa crítica!