Crítica | Monstros no Trabalho – 1ª Temporada

Denis Le Senechal Klimiuc  - 13 de setembro 2021 ás 15h00

Desde que o mundo conheceu Mike (Billy Crystal) e Sulley (John Goodman), em Monstros S.A. (2001), o universo da Pixar ganhou um novo sentido, chamando a atenção de uma geração inteira que ainda não sabia, mas que seria cativada por suas outras diversas obras, tão criativas quanto emocionantes. Assim, a dupla de protagonistas que dividiram a tela lá atrás ainda ganhou, anos depois, um prequel chamado Universidade Monstros (2013), ampliando o universo da empresa que dá nome ao primeiro título, e chegando à série Monstros no Trabalho (2021), do Disney+.

Agora, Mike e Sulley não precisam mais assustar ninguém, como ficou claro no primeiro filme, desde que descobriram uma rede de corrupção na empresa, além do que o riso é muito mais poderoso do que o grito de susto, e, assim, tornaram-se os chefes da corporação, ainda que constantemente avaliados pelas organizações responsáveis por manter o equilíbrio do mundo monstro em ordem. Ou seja, a burocracia continua hilária, e os comparativos com a realidade são inevitáveis, tendo em vista que esse universo inteiro foi criado para servir como um interessante reflexo da vida comum.

Porém, Mike e Sulley não são mais os protagonistas da história, que é contada a partir das experiências de Tylor (Ben Feldman). Ele, um jovem que acabou de sair da Universidade Monstros e que era o melhor de sua turma quando o assunto é susto, precisou se reinventar completamente em dias, pois, a sua jornada como o potencialmente melhor assustador se encerrou antes de começar, e ele não sabe fazer absolutamente ninguém rir.

Fonte: Reprodução/Disney

Sully e Wasowski estão de volta e isso é nostálgico

É a partir do olhar de que é preciso se adaptar aos novos tempos, sejam eles quais forem, que esta primeira temporada se embasa. Enquanto Tylor precisa lidar com um departamento repleto de monstros que foram excluídos em suas épocas de estudo, enquanto ele era a celebridade e agora a grande lição é justamente a humildade em sua existência, Mike e Sulley mal sabem o que fazer ao serem repentinamente promovidos. Resultado: a Monstros S.A. vira uma bagunça.

Com os mesmos personagens perambulando pelos episódios, a série ganha um ar nostálgico, mas não deixa de abrir espaço para a nova geração, aquela que acompanha a partir de agora a existência desses personagens da Pixar, e a dos novos monstros, que precisam ganhar a empatia do espectador para o sucesso desta empreitada. É correto dizer, contudo, que a primeira temporada é tímida, com um grande arco de apresentação, mal dando espaço para os personagens originais, mas que, também, eles se encaixam perfeitamente como coadjuvantes desse novo olhar.

Rejuvenescendo o arco todo, o criador, Bobs Gannaway, é um dos diversos roteiristas, os quais se dividem com as tarefas de transmitir sentido ao espectador em acompanhar esses personagens. No final das contas, o universo é apresentado de forma correta, mas sem grandes expectativas para continuar existindo. E não há problema algum nisso, pois talvez os personagens possam retornar em alguns anos, com arcos mais maduros.

Fonte: Reprodução/Disney

São dez episódios que ampliam o bom e velho universo

Pois, até o momento, são dez episódios no Disney+, e eles trazem as aventuras de Tylor em tentar, dentre tantas formas de aceitação, olhar para si mesmo com um novo jeito de pensar. Sua evolução é sentida, e o trabalho de dublagem da versão original e em português são excelentes, assim como aos demais. E, ao apresentar a personagens como Val (Mindy Kaling), Fritz (Henry Winkler) e Duncan (Lucas Neff), a série ganha fôlego com a junção hilária que já havia funcionado no filme de 2013: os excluídos que ganham espaço de tela.

Ali, na Monstros S.A., a empresa continua firme e forte para que o espectador torça por conseguir assistir aos risos das crianças, e que uma delas escape novamente para aquele mundo, ao melhor estilo da Boo, a criança do filme de 2001 que cativou gerações. E isso acontece, e é uma bela e hilária homenagem que Mike e Sulley precisam resolver. Ou seja, a série busca o equilíbrio entre o antigo e o atual, e isso fica evidente até mesmo em algumas das tramas do roteiro.

Fonte: Reprodução/Disney

Esta temporada mostra uma tendência do universo Disney

Desta forma, esta primeira temporada de Monstros no Trabalho é um momento nostálgico que marca uma tendência da Disney: criar diferentes universos para seus produtos, explorando ao máximo com o streaming, que já tem colhido bons resultados diante de seu catálogo voltado ao público jovem e nostálgico – ou seja, boa parcela da população mundial.

A série, que não apresenta o mesmo brilhantismo de Monstros S.A. ou de outras produções do estúdio, tampouco decepciona. Ela fica na média, e talvez seu objetivo seja justamente esse: o de pavimentar uma estrada para expandir o universo dos monstros, começando por quem, há vinte anos, conquistou o coração do espectador.