Crítica | Ghostbusters – Mais Além

Denis Le Senechal Klimiuc  - 08 de dezembro 2021 ás 15h43

A vida de quem cresceu assistindo aos clássicos dos anos 1980 não é nada difícil: o cinema blockbuster praticamente dominou as telonas desde então e, com isso, produções cada vez melhores (tecnicamente) dominaram a vida de quem estava mal-acostumado com os efeitos visuais capengas. Hoje, nada mais justo do que uma roupagem a alguns desses clássicos, como é o caso deste Ghostbusters – Mais Além (2021).

O mais interessante, porém, é saber que há mesmo uma atualização não só do cinema-pipoca, como também do responsável pela batuta de Os Caça-Fantasmas (1984) e Os Caça-Fantasmas 2 (1989). Se naquela época o veterano Ivan Reitman foi o responsável por fazer o espectador rir muito dessa história de fantasma, agora é seu filho, o já experiente Jason Reitman, o responsável por trazer a franquia de volta.

Por isso, com a chegada deste filme, há mais do que um sentimento nostálgico: há revitalização de uma franquia que tanto fez (e continua fazendo) pela cultura pop. Com humoristas nos papéis principais, os filmes originais fizeram história, e precisavam de algo com fôlego redobrado para lidar com os blockbusters de hoje, o que não aconteceu com Caça-Fantasmas (2016), cujo elenco era formado por mulheres comediantes com talento mais do que suficiente para continuar a saga, mas cuja história não emplacou nem o público e nem a crítica. Agora, porém, o jogo pode mudar.

Reprodução/Sony Pictures

Quem é morto sempre aparece

Ao se passar no mesmo universo dos filmes dos anos 1980, este Ghostbusters – Mais Além faz o que seus antecessores não precisaram fazer: se adaptar ao que está na moda de seu tempo. Porém, isso funciona muito bem, e este longa traz referências aos originais, é claro, mas também conversa diretamente com a atual geração streamer, que está crescendo com Stranger Things (2016-atual), e que já não se impressiona com bom CGI, e sim com o ritmo das histórias que são contadas no cinema e na TV.

Não é à toa, então, que a releitura em cima dos clássicos foi feita a partir do ponto de vista dos jovens de hoje: uma protagonista com seu entorno repleto de referências. Phoebe (Mckenna Grace) e seu irmão, Trevor (Finn Wolfhard – de Stranger Things) são foco nesta história, e os dois precisam enfrentar as mudanças impostas às suas vidas, ao mesmo tempo em que percebem que estão crescendo, e que as histórias de fantasmas já não surpreendem como antigamente. A boa sacada, então, faz com que o espectador mais novo se interesse pela história, mas, leva os mais velhos ao bom arrepio da nostalgia.

Então, quando Phoebe e Trevor se mudam para a casa da mãe, Callie (Carrie Coon), no interior dos Estados Unidos, é a esperança de que a herança deixada por um parente lhes dê melhores condições de vida. Mas, tudo o que acontece vem para piorar ainda mais a situação, e acontecimentos sobrenaturais começam a tomar conta daquele momento da família. Ali, bem diferente da Nova York dos outros filmes, existe um ar interiorano que aumenta o mistério, e ajuda a dar mais espaço de tela para os personagens se desenvolverem. Porém, o que chama a atenção é a forma com a qual o diretor insere o espectador às referências clássicas.

Reprodução/Sony Pictures

Ghostbusters – Mais Além não é mais do mesmo

Muito mais do que repetir as fórmulas que deram certo, e muito mais do que trazer apenas elementos de nostalgia, este Ghostbusters – Mais Além vai de encontro com seu título: não precisa de traduções, porque o público cativo é fiel, e o público novo está acostumado à globalização da língua inglesa; e o subtítulo conversa diretamente com o roteiro do próprio Jason Reitman e Gil Kenan: os jovens vão além e expandem o universo.

Felizmente, então, o filme não é mais do mesmo, e a química entre os atores, com um Paul Rudd inspirado em sua própria persona, do pai carinhoso e desleixado, que representa o fã da equipe original, mas que está ali para conectar os céticos jovens à história, funciona muito bem. Além disso, o filme conta com o selo Reitman, que dirigiu obras irretocáveis, como Juno (2007) e Amor Sem Escalas (2008), e o respeito em apresentar uma boa história está ali o tempo inteiro.

Contudo, de nada adiantaria se embasar na cultura entorno do material se o elenco de Ghostbusters – Mais Além não funcionasse, e Mckenna Grace e Finn Wolfhard estão ótimos como os irmãos que precisam aprender a aceitar que certos itens do passado são mais potentes do que toda a tecnologia do presente.

Reprodução/Sony Pictures

Divertido e nada ingênuo

Uma das melhores qualidades deste longa-metragem é o fato de ele conseguir conversar com os jovens, claramente seu público-alvo, sem excluir as demais idades. Isso significa que o roteiro amarra bem a história, e traz os elementos certos. Mas, melhor do que isso, é saber que os motivos pelos quais a nostalgia está presente não tem a ver com a história em si, e sim com o que o filme entrega como presente para o espectador.

Portanto, repleto de surpresas e boas referências, mas com um arco centrado em uma família que precisa evoluir unida, Ghostbusters – Mais Além é o tipo de aventura que merece ser conferida de perto, e na maior tela possível.