Crítica | Alerta Vermelho

Denis Le Senechal Klimiuc  - 12 de novembro 2021 ás 12h00

A intenção era a melhor de todas: reunir três astros que estão com tudo em suas respectivas carreiras, moldá-los em um roteiro simples e engraçadinho e inserir diversas piadas para que não só o talento em tela, mas o carisma fizesse parte do contexto de qualquer história. Bom, é realmente qualquer história o que este Alerta Vermelho (2021) apresenta, e a Netflix parece apenas cumprir seu cronograma ao lançar um filme de ação e comédia que não é nada ágil ou sequer engraçado.

Com isso, a primeira grande questão é: qual o propósito de trazer Dwayne Johnson, Ryan Reynolds e Gal Gadot em uma produção que não se leva a sério? Com certeza não é rir de si mesmo, apesar de ser o que os três mais fazem em cena. O que também não acontece é envolver o espectador, porque o filme parece ser construído à base de algum tipo de higienização intelectual, dentro da qual estão questões relacionadas a absolutamente nada. Ou seja, parece que os três atores se encontraram em uma festa à fantasia e quiseram se divertir um pouco, às custas de uma superprodução cinematográfica.

Mas, a culpa definitivamente não é só dos atores. Sim, eles toparam participar do projeto, leram o roteiro e interpretaram seus respectivos personagens do jeito que é visto em tela. Porém, o primeiro erro está na escolha do diretor e roteirista, Rawson Marshall Thurber, em acreditar que apenas o talento de seus astros seria o suficiente para prender o espectador, e subestimar quem assiste ao filme, ou seja, a razão de existir do projeto, é no mínimo ofensivo.

Reprodução/Netflix

O roteiro boboca de Alerta Vermelho não engaja

A história é a seguinte: o quase agente John Hartley (Dwayne Johnson) precisa provar que é capaz de ser um detetive dos melhores, e faz isso a todo custo, inclusive quando as coisas dão errado e, bom, uma perseguição automobilística resulta em um espalhafatoso acidente. Porém, quando o golpista Nolan Booth (Ryan Reynolds) se envolve com ele, sem querer, John é acusado de participar de um esquema e, sendo incriminado, vai para a prisão – na mesma cela em que Nolan foi parar. Ambos precisam encontrar um terceiro artefato de ouro, e acabam se juntando para fazer tudo acontecer da melhor forma possível, ainda que sejam ainda mais atrapalhados juntos do que separados.

Mas, quando O Bispo (Gal Gadot) surge em seu caminho, as coisas ficam ainda mais difíceis e, basicamente, os três se encontram durante todo o filme nas situações mais parecidas com a saga Indiana Jones (1981-1989) às avessas. E o que acontece é um filme que poderia ser cômico, como Adam Sandler vive tentando fazer, e que de vez em quando acerta, mas o roteiro não se esforça para oferecer algo que o espectador já viu inúmeras vezes em tela.

Reprodução/Netflix

A realidade é que o trio não brilha tanto

Porém, o pior é encontrar o trio principal em situações que lembrem… Eles mesmos. Sim, Dwayne Johnson está uma mistura do que construiu em sua carreira, como o brucutu fofo que faz coisas engraçadas, mas que também salva todo mundo; Gal Gadot consegue emular o que tem feito como a Mulher-Maravilha, e particularmente vê-la em um cenário egípcio soa irritante, tendo em vista seu recente anúncio de que será Cleópatra nos cinemas. Já Ryan Reynolds é… Ryan Reynolds. O ator adotou a persona do “engraçadinho de boca suja” e, apesar de funcionar muito bem como Deadpool, soa extremamente repetitivo aqui. Em alguns momentos, é bem provável que o espectador o imagine olhando para a câmera e comentando algo sobre o roteiro enfadonho.

Desta forma, o que soou em algum momento como um filme cujo mote principal está em cima de seus astros, acaba resultando em uma experiência frustrante, cujo desperdício das duas longas horas da vida de alguém pode frustrar, inclusive, para futuras produções. E é uma pena que o elenco seja tão mal aproveitado, pois o roteiro é preguiçoso até mesmo em formar os diálogos, algo que não deveria ser desperdiçado pelo provável cachê que o trio cobrou.

Reprodução/Netflix

Mais do mesmo e de novo

Alerta Vermelho consegue se transformar na frustrante experiência de não conseguir convencer o espectador de que é algo além de uma promessa não cumprida, e isso soa como uma espécie de golpe audiovisual, principalmente por se vender como algo inovador, que “conseguiu” reunir Johnson, Gadot e Reynolds, quando a verdade é que eles parecem ter se enganado diante de sua própria vaidade.

Portanto, caso esta seja uma experiência tão frustrante quanto o que diz aqui, respire fundo, reflita sobre suas próximas escolhas e, quem sabe, volte a assistir algo que os três fizeram em outros momentos de suas carreiras. Talvez seja a melhor opção para deixar para trás a má memória criada a partir de agora. Mas, caso vá por conta e risco, lembre-se: este é um Alerta Vermelho para não ir.