Como Stan Lee se tornou um ícone e alçou a Marvel ao topo

Tiago Minervino  - 10 de maio 2021 ás 13h33

Homem-Aranha, X-Men, Pantera Negra e mais. É impossível falar sobre essa legião de super-heróis e não pensar, automaticamente, no homem por trás destes ícones geniais: Stan Lee. O quadrinista, que faleceu em novembro de 2018, aos 95 anos, é o principal responsável por catapultar e consolidar a editora Marvel como uma das maiores criadoras de conteúdo nerd em todo o mundo.

Exímio contador de histórias, Stan Lee criou, sozinho ou em parceria com Jack Kirby e Steve Ditko, icônicos personagens para as páginas em quadrinhos que, anos depois, ganharam vida nos cinemas, influenciando centenas de milhões de pessoas ao redor do globo, movimentando cifras bilionárias e batendo de frente com a DC Comics e a Warner Bros.

Hoje, cerca de três anos depois do falecimento de Stan Lee, o norte-americano continua sendo um ícone pop e referência quando o assunto é HQ. Relembre alguns dos principais fatos de sua vida.

Curiosidades

Nascido em 1922, o quadrinista foi batizado como Stanley Martin Lieber e, décadas depois, trocou oficialmente de alcunha, passando a se chamar Stan Lee. A história do gênio com o universo das HQs começou aos 16 anos, quando foi contratado como assistente na Timely Comics, empresa considerada o berço do nascimento da Marvel.

Durante a Segunda Guerra Mundial, ele foi enviado à Europa para combater ao lado dos Aliados contra os nazistas. Em 1941, criou sua primeira história para a Timely — uma edição de Capitão América — que acabou lhe rendendo uma promoção na empresa. Entre as décadas de 1940 e 1950, Lee criou diversas histórias para a editora, mas nenhuma que envolvesse super-heróis.

Fonte: Marvel/Reprodução

Fórmula do sucesso: heróis com resquícios de humanidade

Antes de chegar ao topo do panteão dos quadrinistas, Stan pensou em desistir e pedir demissão da Timely. Mas foi justamente graças a um conselho precioso de sua esposa, Joan Lee (1947-2017), que ele teve coragem para criar seu primeiro grupo de heróis: o Quarteto Fantástico.

Àquela altura, o mundo já conhecia e idolatrava os heróis superpoderosos da DC: Flash, o homem mais rápido do universo. O invencível Superman, uma espécie de deus na Terra. E mesmo Batman, que, apesar de não ter poderes, impressionava pela inteligência e astúcia superiores aos demais humanos.

Dessa forma, Stan Lee tratou de criar seus personagens sem toda a pompa dos heróis da DC. Em Quarteto Fantástico tem-se heróis que, sozinhos, dificilmente conseguiriam salvar o mundo. Porém, quando combinam seus poderes, na máxima de que a união faz a força, eles se tornam invencíveis.

Ainda em sua primeira grande criação, Stan Lee mostrou que, apesar de poderosos, o Quarteto vivia problemas reais como qualquer ser humano “normal”: questões familiares, intrigas entre os membros, personalidades distintas, entre outros. Resquícios de tamanha humanidade são gritantes num de seus personagens mais notórios: o Homem-Aranha.

Fonte: Marvel/Reprodução

Parcerias de peso

O criador de conteúdo inaugurou o hoje conhecido “Método Marvel” ou plot script, no qual os quadrinistas trabalhavam a partir de uma sinopse criada pelo roteirista, adicionando detalhes próprios às histórias e, posteriormente, devolviam para que Lee incluísse os diálogos.

Assim, ele foi o principal responsável por tornar a Marvel uma concorrente à altura da DC. Com Jack Kirby, criou icônicos personagens como Hulk, Thor, Homem de Ferro e os X-Men. Da parceria com Bill Everett surgiu o Demolidor. Junto com Steve Ditko, apresentou ao mundo Doutor Estranho e seu célebre Homem-Aranha.

Antenado às questões de seu tempo, Lee tratou de assuntos relevantes à época de suas criações. Os mutantes de X-Men, por exemplo, foram criados para representar movimentos como o dos Panteras Negras, que lutavam pela igualdade racial nos EUA. Os mutantes, aliás, sempre foram vistos como uma metáfora dos grupos socialmente minoritários que clamam por justiça e inclusão.

Fonte: Marvel/Reprodução

Em Pantera Negra tem-se a inegável importância da representatividade através de um personagem negro, que se tornou símbolo para a comunidade em todo o mundo, além de, em sua versão audiovisual, trazer para debater o tema do afrofuturismo.

Turbulências

Mas nem tudo são flores na vida de Stan Lee. Alçado ao patamar de gênio e com seu nome já eternizado na cultura pop, segundo relatos de ex-funcionários, o roteirista era um chefe abusivo, que não hesitava em gritar com seus subordinados, além de sobrecarregá-los com prazos ditos impossíveis.

Ainda, o personagem J.J. Jameson, o chefe mandão do jornal onde Peter Parker trabalha, e criado por Steve Ditko, teria sido inspirado justamente em Stan Lee. Mas, além das queixas ao modus operandi no trabalho, o escritor também sofreu com diversas acusações de assédio sexual, que ele negou.

Homenagens

Anos após a morte de Stan Lee, os fãs do roteirista continuam homenageando sua genialidade e o que ele representa para o universo geek. A própria Marvel mantém tributos em suas produções, a exemplo da recente “WandaVision”. O quadrinista, porém, teve a oportunidade de ser homenageado ainda vivo com participações em todos os filmes da Marvel.

A Câmara de Nova York também o homenageou. Segundo o The New York Post, a Câmara decidiu rebatizar uma das ruas localizadas entre a Brandt Place e West 176th, que foi renomeada como Stan Lee Way.