Como Sailor Moon popularizou uma nova forma de fazer animes

Rafael Revadam  - 30 de junho 2021 ás 12h00

Um grupo de garotas adolescentes ganha poderes e se junta para salvar o mundo. Provavelmente, você deve ter pensado em diversos animes e mangás com esse enredo, né? Mas há um, em especial, que popularizou a produção de obras do gênero por todo o mundo: Sailor Moon. A franquia é celebrada pelos fãs em 30 de junho, data adotada por ser o aniversário da protagonista, Usagi Tsukino, também conhecida como Serena no Brasil.

Sailor Moon não foi o primeiro anime ou mangá sobre guerreiras mágicas, mas certamente foi o que trouxe mais visibilidade ao gênero. No Japão, obras do tipo existem desde a década de 1970. Acontece que a obra da mangaká Naoko Takeuchi combinou dois elementos importantes: uma história cativante e uma animação marcante, que se tornou referência para as demais histórias do gênero shoujo.

Fonte: Reprodução/Toei Animation

Naoko não criou o universo de Sailor Moon já com Usagi/Serena protagonizando — sua primeira experiência foi com o mangá Codename: Sailor V, protagonizado por Minako Aino, que se tornaria mais tarde a Sailor Vênus. Quando Naoko estava negociando os direitos para uma adaptação em anime, os executivos da Toei Animation sugeriram que a história abordasse um grupo de guerreiras, e não apenas uma. Foi assim que nasceu Sailor Moon.

E a obra foi um fenômeno tão grande, que o anime original, produzido entre 1992 e 1997, era feito quase que simultaneamente à publicação do mangá. Isso explica o anime ser conhecido por ter uma quantidade considerada de fillers, que são as tramas criadas especialmente para a animação, sem a existência na história original.

Um exemplo ocorreu na 4ª temporada, intitulada Sailor Moon SuperS. Dizem que a Naoko estava tão atrasada com a história, que entregou apenas a sinopse à equipe da Toei Animation para não impactar na produção do anime. Os roteiristas, então, criaram um prólogo para a vilã da temporada, a Rainha Nehelenia, que simplesmente não existe no mangá. Para muitos, o anime até humanizou alguns personagens que no mangá têm aparições rápidas ou pouco desenvolvidas.

Fonte: Reprodução/Toei Animation

E a combinação da estética criada por Naoko e pela equipe da Toei Animation foi tão marcante, que Sailor Moon passou a ditar tendências, mudando a forma com que guerreiras surgiriam em outras obras. Quem leu o mangá vai sacar algumas referências dele em Saintia Shô, um spin-off de Cavaleiros do Zodíaco protagonizado por mulheres. Outro elemento que é explorado exaustivamente, são as suas cenas de transformação. Quem nunca viu uma protagonista dançando enquanto troca de roupa ou para usar a sua arma de batalha? E enquanto algumas obras simplesmente se espelham, outras fazem paródias bem divertidas sobre, como é o caso do anime Super Pig.

Mas o fenômeno vai além da animação. A franquia é considerada uma das mais bem-sucedidas do mundo. De acordo com uma matéria do portal Japan Time, em 2014, Sailor Moon está presente em mais de 50 países e já movimentou mais de 13 bilhões de dólares em produtos. Números que tendem a aumentar, aliás. Há seis anos, a série está com um reboot em produção, chamado Sailor Moon Crystal, que foi criada para contar a história exatamente como no mangá, sem os fillers da série clássica. As três primeiras sagas já foram transformadas em animes, e a quarta virou dois filmes, que chegaram à Netflix no começo de junho!

O fato é que Sailor Moon é um fenômeno longe de acabar. Aqui no Brasil, a Editora JBC já prometeu a republicação do mangá, numa nova versão de luxo. Com filmes, mangás e até uma coleção na Piticas. Serena segue firme e forte para punir os inimigos em nome da Lua!