Como a pandemia afetou a cultura pop e provocou mudanças

Tiago Minervino  - 10 de maio 2021 ás 15h47

A pandemia do coronavírus pegou todo mundo de surpresa e provocou um verdadeiro reboliço em todas as áreas da sociedade, alterando, inclusive, o calendário de filmes que estavam programados para serem lançados em 2020 e, consequentemente, nos longas com previsão de estreia para 2021.

Com a paralisação das gravações durante meses como forma de precaução contra a Covid-19, os prejuízos para a indústria cinematográfica foram astronômicos, e todo o setor foi afetado: desde as produtoras, até os artistas e, claro, as redes de cinema.

Por outro lado, se os cinemas ficaram meses fechados e a falta de novidades nas telonas contribuíram para manter o público afastado, uma nova alternativa que já há algum tempo tem angariado cada vez mais adeptos se consolidou de vez: as plataformas de streamings.

Fonte: John-Mark Smith/Pexels

Com mais tempo em casa, as pessoas buscaram alternativas para se distrair e, nesse sentido, mídias como Netflix e GloboPlay se tornaram um refúgio para os brasileiros, que cada vez mais optam por consumir produtos no conforto de seus lares por intermédio desses canais em detrimento dos cinemas.

Mas não foram apenas as produtoras cinematográficas que ficaram no prejuízo: a pandemia também afetou os planos dos astros da música pop. A cantora Lady Gaga, por exemplo, precisou cancelar todo o cronograma que havia montado para o lançamento de seu álbum mais recente, “Chromatica”, lançado em maio de 2020.

Ícone entre o público adolescente, Taylor Swift cancelou uma turnê mundial, que passaria, inclusive, pelo Brasil, e cujos ingressos já haviam esgotados. Sem mais opções, a norte-americana lançou dois trabalhos intimistas e sem muito alarde.

Lançamentos que bombaram

Porém, nem tudo são espinhos. Algumas plataformas conseguiram se sobressair à pandemia e, com muitos ajustes e precauções, lançaram novidades de sucesso. É o caso da Disney+ e a série WandaVision. Ainda, o canal de streaming agraciou o público com uma belíssima segunda temporada de The Mandalorian.

Fonte: Reprodução

A Netflix também não ficou por baixo e lançou vários sucessos, mesmo com todas as dificuldades provocadas pela pandemia. Merecem destaques: Dark, Ozark, The Crown, She-Ra e as Princesas do Poder, O Gambito da Rainha e a brasileira Bom Dia, Verônica.

Já a HBO se notabilizou por Lovecraft Country e I May Destroy You. Por fim, méritos para as produções The Boys e Normal People, da Amazon Prime.

Cancelados

Eventos importantes e aguardados por nerds em todo o mundo, como a San Diego Comic-Con, passaram por reformulações e aconteceram de forma virtual. No Brasil, a CCXP também aconteceu remotamente. Para este ano, a realização do evento de forma presencial ainda é incerta.

Conhecida como “Comic-Con das favelas”, a PerifaCon 2020 foi cancelada por causa da pandemia e, em 2021, o evento foi transmitido pela internet.

Fonte: Jef Delgado/Reprodução

Cinema precisou se readaptar

Produções cinematográficas, mesmo que simples, sempre custam milhões e milhões de dólares às empresas, que aguardam o retorno financeiro quando suas produções são lançadas mundialmente.

No Brasil, não é novidade que um dos gêneros mais consumido é o de super-heróis. Por causa da pandemia, porém, os brasileiros sofreram com o adiamento de várias produções.

Lançada em fevereiro de 2020, antes das medidas de isolamento, Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa chegou às telonas a tempo de atrair espectadores. Protagonizada por Vin Diesel, a adaptação para os cinemas da história em quadrinhos Valiant estreou muito próximo ao início da pandemia, mas, mesmo assim, conseguiu arrecadar US$ 29 milhões no mundo.

Mulher-Maravilha 1984 estreou no final do ano. Já o filme solo da Viúva Negra foi adiado para 2021 e, surpreendentemente, a mudança de data deve ser boa para a produção. Segundo o Observer, as estimativas de arrecadação para o filme passaram de US$ 45 milhões para US$ 170 milhões.

Fonte: Divulgação

Penúltimo filme da franquia, Velozes & Furiosos 9 também teve estreia adiada: agora, o longa deve chegar aos cinemas em 22 de julho, no Brasil. Quem também sofreu alteração na data de lançamento foi 007 – Sem Tempo Para Morrer, com previsão de estreia para 30 de setembro.

Expectativa de crescimento

Apesar das dificuldades encontradas nos últimos meses, as expectativas são positivas. E isso deve-se ao fato de que filmes de heróis e HQs do gênero continuam sendo produtos bastante consumidos pelo público.

Uma prova disso são os planos das produtoras que mostram que a temática vai continuar em alta nos próximos anos, e produções do tipo deverão continuar dominando o topo das bilheterias. A Marvel já confirmou a produção de novos filmes de herói, com lançamento previsto para 2022.

Do outro lado, a DC segue firme na produção de The Batman, The Flash e Aquaman 2, com previsão de estreia até o final de 2022. As plataformas de streamings também têm apostado nesse gênero. A Netflix confirmou a produção da série inspirada nas HQs de Sandman, o que, por sua vez, deve impulsionar as vendas dos quadrinhos em papel.

Fonte: Reprodução

Longe das telonas e dos streamings, as HQs de super-heróis ganham mais espaço nos jogos de videogame. No final de 2020, no lançamento do PlayStation 5, o jogo Spider-Man: Miles Morales, foi anunciado com pompas e já tinha vendido mais de 4,1 milhões de unidades em fevereiro.