007: O adeus a Daniel Craig como James Bond e o futuro da franquia

Tiago Minervino  - 13 de outubro 2021 ás 16h00

Franquia mais longeva da história do cinema, 007 estreou seu 25º filme que marca a despedida do ator Daniel Craig como intérprete do icônico espião James Bond, e abre um novo capítulo na história do personagem.

Oficialmente, 007 – Sem Tempo Para Morrer era para ter chegado às salas de exibição no ano passado. Entretanto, devido à pandemia de Covid-19, o lançamento da produção foi adiado para este ano.

Como forma de situar os leitores no universo do renomado espião do serviço de inteligência britânico, o Pitinews preparou uma recapitulação sobre o universo da franquia desde sua primeira adaptação cinematográfica até os dias atuais – além de uma perspectiva sobre o futuro do personagem. A crítica de Sem Tempo Para Morrer pode ser lida aqui.

Criação, arrecadação e histórico cinematográfico

James Bond é um personagem fictício criado pelo escritor Ian Flaming (1908 – 1954), em 1953. Bond, que integra o time de agentes secretos do MI6 e atende pelo codinome 007, tem o dever de proteger a Coroa e fez um verdadeiro sucesso nos livros, mas foi nas telonas que ele se tornou um fenômeno mundial e uma das sagas mais rentáveis de todos os tempos.

De acordo com dados da Betway, site de apostas on-line, somados, todos os 24 filmes já lançados da saga 007 arrecadaram aproximadamente US$ 7 bilhões de dólares. O mais lucrativo de todos, Operação Skyfall (2012), somou US$ 1.218.849.723,00 nas bilheterias mundiais. Um verdadeiro oásis para os cofres da poderosa MGM.

O espião ganhou vida nos cinemas em 1962, quase uma década depois de seu “nascimento”, no primeiríssimo filme da franquia, 007 Contra o Satânico Dr. No, estrelado pelo ator Sean Connery (1930 – 2020).

Um dia para ver o James Bond de Sean Connery - Blog de Hollywood
Reprodução/MGM

Connery abriu as portas para que outros grandes nomes da indústria dessem vida ao espião. Nascido na Escócia, o ator foi rechaçado por Ian Fleming, que não queria vê-lo interpretar seu mais célebre personagem, mas de nada adiantaram suas escusas, e o escocês protagonizou os cinco primeiros filmes da saga.

Para o sexto título uma história um tanto peculiar. Os produtores de 007 estavam em busca de novo Bond para A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969), e encontraram na figura do até então desconhecido George Lazenby o agente ideal. No entanto, o australiano, recém-chegado à Londres, deu um baile na produção do longa e, com uma história mirabolante e uns filmes inventados, dos quais ele jamais participou — sequer existiram, na verdade —, conseguiu o papel. Resultado: Lazenby foi o Bond mais efêmero da história, com uma atuação esquecível e substituído no título seguinte, quando Sean Connery retomou o posto para mais uma interpretação do agente.

De 007 Viva e Deixe Morrer (1973) a 007 – Na Mira dos Assassinos (1985), o agente do MI6 foi vivido pelo ator Roger Moore (1927 – 2017), o artista que por mais tempo interpretou o personagem, em um total de sete produções. Os dois filmes seguintes foram gravados com Timothy Dalton na pele do espião. Em 1995, quando a MGM lançou 007 Contra GoldenEye, o responsável por viver o agente foi o ator Pierce Brosnan e por lá ele ficou até 007 – Um Novo Dia para Morrer (2002).

Em 2006, Daniel Craig assumiu o personagem com sua estreia em Cassino Royale. No início, os fãs mais conservadores não foram muito receptivos ao famoso, que foi considerado o mais “bruto” e menos “charmoso” da saga. Agora, 15 anos depois, ele dá adeus ao espião e se consagra como um dos melhores Bond da história.

Novo filme vem em clima de despedida

Daniel Craig foi o sexto ator a viver James Bond nas telonas, mas o único a ganhar uma despedida. No total, são cinco filmes dando vida ao mesmo personagem, com alguns altos e baixos – do aclamado Skyfall ao criticado 007 Contra Spectre (2015).

E o tom de homenagem adotado por 007 – Sem Tempo Para Morrer a Daniel Craig não é por menos, afinal foi o ator britânico o responsável por reabilitar a franquia.

O artista assumiu o posto em uma época de grandes mudanças na forma de se consumir filmes, com alterações graduais na indústria do entretenimento à medida em que a tecnologia ia se estabelecendo, e o consumo de filmes passou a não ser algo exclusivo dos cinemas. Não por acaso ele também ganhará um especial na Apple TV+ que recapitulará sua trajetória como 007.

Foi também com o Bond de Craig que a franquia começou a demonstrar indícios necessários e importantes de uma maior representatividade feminina, com as mulheres deixando aos poucos de serem “acessórios” do agente-hétero-conquistador, para protagonizar cenas de ação.

E a partir dessa perspectiva é que se questiona qual será o futuro do agente e também da franquia em sua nova era nas telonas.

007 | Produção do próximo filme é suspensa após acidente com Daniel Craig -  NerdBunker
Reprodução/MGM

Quem será o novo James Bond?

Produto de sua época, Bond é a representação de uma sociedade heterossexual e branca. É curioso notar que, 59 anos depois de seu aparecimento nas telonas, o 007 ainda seja uma figura tão anacrônica, que parece ter congelado no tempo e, a despeito dos aparatos tecnológicos que facilitaram sua vida de agente secreto, uma abertura para representatividade feminina, ele tenha evoluído pouco ou quase nada em um sentido mais social e identitário. E por ele entenda a franquia como um todo.

James Bond continua sendo a representação de um imaginário praticamente intangível: excelente no que faz, bem apessoado, vive rodeado por mulheres que o desejam, possui carros inacessíveis aos reles mortais, frequenta os melhores espaços, desfruta dos melhores drinks e, logo, dinheiro não é um problema para ele.

Deslocado de seu tempo, o personagem precisa de renovação. Não por acaso, muito tem-se questionado sobre quem, afinal, deve substituir Daniel Craig na pele do agente. Há espaço para um James Bond negro? É possível renovar o personagem e tornar ele em ela com uma atriz no papel principal?

Recentemente, em entrevista à Rádio Times, o próprio Craig foi questionado sobre isso. Sem se esquivar, o famoso mostrou-se contra a ideia do 007 ser mulher, não porque ele ache que uma atriz não seria capaz de interpretá-lo, mas porque, diz, elas “merecem papéis melhores”. Ainda, e em tom crítico, o astro disse ser necessário que os roteiristas criem papéis grandiosos pensados para as mulheres e atores não brancos.

James Bond Producer Says Studio Nearly Cut Homoerotic "Skyfall" Line | them.
Reprodução/MGM

O fato é que o assunto tem rendido discussão. Ben Whishaw, intérprete de Q na franquia, também opinou sobre o assunto e declarou à Variety que a saga precisa de uma mudança “radical, algo realmente diferente”. Para ele, o próximo Bond pode ser gay e apontou os atores Luke Evans e Jonathan Bailey — homossexuais assumidos —, como opções para o posto.

Mudanças identitárias de James Bond até podem acontecer, mas não serão tão radicais como pregam alguns. Desde que foi confirmada a saída de Daniel Craig da franquia, os atores Idris Elba e Regé-Jean Page — ambos negros — têm sido cotados para a função de espião do MI6 nas telonas.

Por outro lado, a possibilidade de uma mulher fazer às vezes de 007 já é algo mais remoto, talvez até impossível. Isso, claro, se levar em consideração o que disseram os produtores de 007 – Barbara Broccoli e Michael g. Wilson. À Variety, eles se mostraram contra a ideia de mudar o gênero do espião. Para Broccoli, o agente pode ser interpretado por atores “de qualquer etnia” desde que sejam do sexo masculino.

Dito isso, outro fato é que a busca pelo novo James Bond terá início apenas em 2022. Até lá, resta apenas especular sobre quem será o escolhido para protagonizar o futuro da franquia bilionária.

Atores e seus filmes

Sean Connery

Reprodução/MGM
  • 007 Contra o Satânico Dr. No            (1962)
  • Moscou Contra 007 (1963)
  • 007 Contra Goldfinger (1964)
  • 007 Contra a Chantagem Atômica (1965)
  • Com 007 só se Vive Duas Vezes (1967)
  • 007 – Os Diamantes são Eternos (1971)

George Lazenby

007: O adeus a Daniel Craig como James Bond e o futuro da franquia
Reprodução/MGM
  • 007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969)

Roger Moore

007: O adeus a Daniel Craig como James Bond e o futuro da franquia
Reprodução/MGM
  • Com 007 Viva e Deixe Morrer (1973)
  • 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro (1974)
  • 007 – O Espião que me Amava (1977)
  • 007 Contra o Foguete da Morte (1979)
  • 007 – Somente para Seus Olhos (1981)
  • 007 Contra Octopussy (1983)
  • 007 – Na Mira dos Assassinos (1985)

Timothy Dalton

007: O adeus a Daniel Craig como James Bond e o futuro da franquia
Reprodução/MGM
  • 007 – Marcado para a Morte (1987)
  • 007 – Permissão para Matar (1989)

Pierce Brosnan

007: O adeus a Daniel Craig como James Bond e o futuro da franquia
Reprodução/MGM
  • 007 Contra GoldenEye (1995)
  • 007 – O Amanhã Nunca Morre (1997)
  • 007 – O Mundo não é o Bastante (1999)
  • 007 – Um Novo Dia para Morrer (2002)

Daniel Craig

007: O adeus a Daniel Craig como James Bond e o futuro da franquia
Reprodução/MGM
  • 007 – Cassino Royale (2006)
  • 007 – Quantum of Solace (2008)
  • 007 – Operação Skyfall (2012)
  • 007 Contra Spectre (2015)
  • 007 – Sem Tempo para Morrer (2021)